7 A.M.

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Fazem 5 meses que eu não tenho mais nenhuma crise. Ou melhor, faziam. Eu estou deitada sozinha na cama depois que todos foram embora para trabalhar, tentando voltar a dormir. Minha respiração subitamente fica pesada e agora uma onda de inquietação percorre o meu corpo. Cada vez que eu pego no sono meu corpo dá um pulo sobre a cama me dizendo que ainda não está calmo e relaxado o bastante para descansar. E é aqui que eu começo a chorar.
Eu sabia que era bom demais pra ser verdade – eu pensava. Era óbvio que as crises iam voltar. Fraca: era como eu me sentia em relação a elas. Impotente.
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Sobre amores e tempestades.

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Todo mundo sabe da minha paixão por tempestades. E todo mundo sabe, também, do medo que eu sinto do vento forte que antecede a chuva, dos trovões que estremecem o céu e, principalmente, do brilho estrondoso que aparece a cada raio novo que se forma e ilumina a escuridão. Eu amo os raios. Mas eu também tenho medo deles.

Mas porque tu acha isso tão fascinante se tu tem medo?” – as pessoas me perguntam. Então eu respondo: porque os raios pra mim são como o amor. Amor? Sim. Aquele sentimento tão bonito e tão intenso ao mesmo tempo, que nós todos conhecemos. Tem uma frase de um documentário do Discovery Science que diz a seguinte frase:

“O raio é mais quente que o sol, tem 16km de comprimento mas só 2,5cm de espessura. É a mais poderosa força elétrica da terra, é criado pelo gelo, mas queima.Ele mata. Ele fere. Podemos capturá-lo, imitá-lo, mas nunca controlá-lo.”

O raio – que é formado a partir do gelo – é mais quente que o sol. O raio pode ser muito longo, mas nunca é grosso. O raio é a força elétrica mais poderosa do nosso universo. E ele fere. Ele mata. Ele causa danos irreversíveis. Nós podemos imitá-lo, mas nunca chegaremos a perfeição do original. Nós podemos capturá-lo, mas de nada adianta deixar algo tão bonito preso. Nós podemos até mesmo fugir dele, mas é impossível ter controle sobre. Ele aparece quando quer, sem avisar se vai ser forte ou passageiro, se vai deixar marcas, se vai doer ou se vai apenas iluminar. E assim como ele aparece, ele vai embora. Sem data. Sem aviso prévio. Sem medo. Mas, qualquer semelhança disso com o amor é mera coincidência né?

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Let it go, let it be.

Fica o vazio após o tchau, já dizia o texto do meu ídolo: Lucas Silveira. E fica mesmo. Fica um vazio absurdamente doloroso. Fica e permanece. Fica, e parece que nunca mais vai passar. E dói. Mas dói muito. Muito mesmo.
Ficam as memórias e ficam as marcas: físicas e emocionais. Ficam a saudade e a falta de algo que nem se sabe ao certo dizer o quê mas, ao mesmo tempo, ficam o medo de começar algo novo e a dor de terminar algo que se lutou tanto para conquistar também.

Eclosão de 2 corpos.

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O que aconteceria se um dia o sol encostasse na terra? Catástrofe. E das grandes. Mas será que seria uma eclosão ou uma simples explosão? Daria pra considerar esse acontecimento como um segundo Big Bang ou seria só o fim do mundo que a gente conhece mesmo? Pergunto isso porque cada vez que você me penetra eu sinto como se minha alma fosse perfurada e invadida por algo, até então, desconhecido por mim. Mas isso definitivamente não é um sentimento ruim.

Há quem diga que todo início precisa de um fim, mas eu discordo. Porque tu és o meu início e o meu fim. Ao mesmo tempo. Tu chegastes quando eu menos esperava em uma noite fria de junho, eu lembro bem. Tu veio de mansinho empurrando a lua que insistia em descolorir o meu sorriso e trouxe contigo o brilho de volta. Tu fez eu achar graça da vida e, por pelo menos alguns minutos, ser otimista em relação ao futuro. Futuro: palavra essa que eu nunca me imaginei pensando ou falando sobre. Palavra que já não faz mais sentido sem ti. Sem nós.

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Se não fosse eu a lutar, quem lutaria?

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Há um tempo atrás fiz um texto sobre a vida de Amy Winehouse falando como a vida de uma mulher pode ser estragada pela sociedade e pelas pessoas ao seu redor. E, hoje à tarde, criei coragem de ir à locadora e alugar As Sufragistas, um filme britânico de 2015 com Carey Mulligan, Meryl Streep e Helena Bonham Carter. Sem entrar no mérito do filme em si, decidi fazer alguns apontamentos para nós, mulheres, que assim como aquelas, vivem lutando.

Sim, nós lutamos. Pode não ser tão parecido quanto às sufragistas do final do século XIX, – com seus uniformes de sindicato e suas medalhas para cada vez que eram encarceradas – mas de fato carregamos cada uma dessas coisas dentro de nós até hoje.

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As 5 vezes que fui parar no hospital por causa de ansiedade.

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Motivos pelos quais devemos levar a sério as reações físicas e psicológicas do nosso corpo.

Me lembro quando terminei com meu ex namorado ano passado. Minha mãe estava tratando uma doença, minha família estava desmoronando e meu rendimento na faculdade tinha caído mais da metade. Qualquer motivo era válido para faltar aula, assim como qualquer motivo pra sair sem falar pros meus pais e criar uma mentira atrás da outra também era.

Me lembro bem da primeira vez que parei no hospital por causa de ansiedade. Foi num domingo de manhã pós festa. Eu tinha saído com alguns amigos pra tentar me distrair da constante merda que a minha vida estava. As coisas não estavam bem, mas eu sempre fui acostumada a sair me controlar. Voltei bem pra casa, deitei na cama e dormi.
Foi então que, ali pelas 8 horas da manhã, eu acordei com um enjoo horrível, minhas mãos estavam frias e suavam sem parar. Meu corpo tremia e meu queixo batia. Eu não entendia direito o que estava acontecendo, mas das três vezes que eu fui no banheiro para vomitar nada saiu.

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E eu, que não estava preparada para tudo isso?

amy-winehouse-prettyUma reflexão sobre a vida de Amy Winehouse como mulher e artista e a pressão que a sociedade nos impõe.

Esses dias me sentei para ver o filme Amy, uma biografia de uma das cantoras de Jazz mais admiradas de todos tempos. E, por incrível que pareça, eu sabia que o que estava me esperando naquele momento era muito além de uma biografia de uma estrela da música – e sim, a vida de uma mulher.

Nunca fui muito fã da Amy. Entre seus hits mais famosos e aqueles deixados no background posso dizer que eu não estava ali pela música.

Há muito tempo vem acontecendo muita coisa na minha vida. Não entremos nos clichés de família, relacionamentos, amigos. Parece que tem algo errado dentro de mim. Ou seja, eu sei que não está lá fora.

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