Let it go, let it be.

Fica o vazio após o tchau, já dizia o texto do meu ídolo: Lucas Silveira. E fica mesmo. Fica um vazio absurdamente doloroso. Fica e permanece. Fica, e parece que nunca mais vai passar. E dói. Mas dói muito. Muito mesmo.
Ficam as memórias e ficam as marcas: físicas e emocionais. Ficam a saudade e a falta de algo que nem se sabe ao certo dizer o quê mas, ao mesmo tempo, ficam o medo de começar algo novo e a dor de terminar algo que se lutou tanto para conquistar também.
Fica a saudade das maratonas de filmes e séries o fim de semana inteiro. Fica a ausência das discussões bobas porque um assistiu um episódio antes do outro ou porque a-pipoca-tinha-sal-demais-ou-manteiga-de-menos. Fica aquela lembrança cruel a cada vez que frequento meu restaurante preferido e não tenho pra quem sorrir mostrando quanto eu fico feliz com a comida. Fica a falta de ter em quem colocar a culpa pela retomada do meu vício em refrigerantes ou pela minha dependência em doces, especialmente durante a TPM. Fica um sabor de nostalgia a cada vez que sinto o gosto do teu chocolate preferido, ou daquelas balas que tu detestava mas sempre trazia pra mim. Fica a solidão ao não ter mais companhia pra assistir todos os lançamentos do cinema comendo baldes e mais baldes de pipoca. Fica até mesmo a saudade das críticas e discussões sobre qual-filme-merecia-ganhar-realmente-o-oscar. Fica a falta de alguém pra comer as azeitonas da minha pizza ou o bacon das minhas batatas, sem reclamar. Fica o questionamento de como teria sido se, naquele dia, eu tivesse feito algo diferente. Fica a dúvida de se a gente teria dado tão errado se não fosse por todos os meus problemas. Fica uma saudade doída e sem nexo algum de ver os teus amigos até não aguentar mais e precisar ir pra casa porque eu sou uma bosta quando se trata de socializar com as pessoas. Fica o silêncio ao não ter mais com quem conversar sobre aqueles assuntos chatos que só eu gosto ou problematizar alguma coisa que sempre acabava em discussão. Fica a saudades ate mesmo das discussões, mas as bobas, não aquelas feias. Na verdade, acho que até das feias. Fica a saudade de ir no Habib’s decidir se a-gente-termina-ou-não. A lembrança de ficar horas no McDonald’s conversando, rindo, brigando ou até mesmo ouvindo música clássica antes da balada. Fica o medo de nunca mais encontrar alguém que concorde que a vida é algo totalmente sem sentido e aceite não-fazer-sentido junto comigo. Fica a saudade do abraço depois de um elogio que me deixou envergonhada, coisa que tu fazia o tempo todo. Ou pelo menos fazia quando gostava de mim. Eu não sei mais. Fica a saudade da raiva que dava as tuas brincadeiras comigo. Fica até mesmo a saudade da própria saudade. De contar os dias pra te ver e acordar te procurando todas as madrugadas. Fica o vazio ao não ter mais quem abraçar nas sextas-feiras. De não ter mais um “porque” em esperar a chegada do fim de semana.
Fica o medo de confiar em alguém novamente. Fica a dor em cada sentimento sentido, por mínimo que seja. Fica também o remorso, a sensação de que podia-ter-sido-melhor ou que não-fez-tudo-que-podia. Fica a certeza de que se tentou ao máximo mas, ao mesmo tempo, fica também a dúvida do “e se?”.

Ficam muitas coisas, isso é verdade. Mas no meio de toda lembrança boa ou nostálgica também fica a lembrança de todo o mal que tu fez pra mim. Fica a imagem perfeitamente linear de te ver indo embora no momento em que eu mais precisava de ti por perto, sem nem ao menos hesitar. Fica a angústia do abandono, a lembrança do meu peito implorando pelo calor do teu e do gelo que tua falta criou aqui dentro. Fica a raiva de mim mesma por ter me sujeitado a tanta coisa e por ter te amado mais do que a mim mesma. Fica cada pedaço de ti em mim. Fica marcado na minha história e, provavelmente, essas coisas farão parte da minha trajetória pra sempre. Mas como tu mesmo me dizia: tudo que fica também se vai. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa inconstância que foi o meu relacionamento contigo, essa coisa foi a aprender a deixar as coisas (e as pessoas) pra trás. E, melhor do que isso, foi o que eu aprendi “sem tigo” – escrevo errado mesmo porque algo tão grandioso como isso merece ter um nome diferente. Foda-se se isso é clichê. Foi tu partir (da minha vida e o meu coração) pra eu aprender que o amor de verdade não machuca, que o amor próprio é o melhor sentimento que eu posso nutrir aqui dentro e pra enxergar que no fundo dessa merda toda o meu único erro foi entregar o meu 100% pra alguém que, infelizmente, não consegue ser nem ao menos 25.

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As coisas realmente ficam, mas não para sempre. O amor? Talvez. Fica, mas também vai. E quando vai, tudo vale a pena. Hoje eu posso te dizer que: sim, existe uma luz no fim do túnel. E diferente do que eu costumava pensar, essa luz não chama pelo teu nome. Ela nem sequer te conhece mais. Desculpa se as palavras parecem muito duras ou se os meus sentimentos estiverem muito crus, mas esse texto é o meu lemonade: é o fim do meu processo de superação de todo esse lixo que tu depositou dentro de mim, é o final de um processo duro de libertação dessa prisão que foi te amar. Aliás, quer dizer… Amar não. Amar é uma palavra muito forte pra chamar a loucura que nós dois vivemos. Paixão, talvez? Não sei, também. Ultimamente tenho preferido chamar esses 3 anos de aprendizado.

E é como já dizia o Lucas Silveira…

“Fica o vazio após o tchau. Fica o fantasma, quando o concreto se vai. Ficam as marcas de poeira ao redor dos quadros e os longos fios substituindo o ar. Ficamos eu e você, aqui e aí. Um vazio momentâneo, uma saudade permanente, uma dor que vai e vem, alternada com uma apaixonada e obcecada psicose, que só entende quem sente. Mas vai passar. ” E passa mesmo. E não volta. 


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Fernanda Dal Cero. Gaúcha. Libriana com ascendente em Áries e lua em Leão. Estudante de Psicologia e Ciências Políticas. 8 ou 80. Intensa, detesta qualquer coisa que seja pela metade. Inconstante e teimosa. Se apega facilmente à simplicidade dos detalhes. Sincera às vezes até demais, escreve pra aliviar a alma. Paciência não tem, mas amor tem de sobra.

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